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O nim indiano e meu pé de pitangas

O nim indiano e meu pé de pitangas
O nim indiano e meu pé de pitangas

Pé de pitangas: Cerca de um ano atrás me mudei para uma casa com quintal relativamente grande (para um quintal), onde encontrei algumas árvores frutíferas já formadas.

Havia um cajueiro, graviola, pitanga, pinha, noni, um mamoeiro em formação e muita batata-doce. Tava “um mato só”, mas em pouco tempo deixei tudo limpinho.

Depois de roçar e capinar o quintal, tudo ficou muito mais bonito e agradável. Mas, como nem tudo são flores, logo recebi hóspedes indesejados que me levaram muita energia e tempo.

 

O Pé De Pitanga

suco pitanga negocio de quintal unikk - O nim indiano e meu pé de pitangasMinha pitangueira começou produzir frutos docinhos e saborosos. Fazíamos suco e também eram consumidas in natura.

As crianças visitavam a pequena árvore muitas vezes ao dia, mas, principalmente pela manhã, quando levantavam.

Tudo aquilo era muito novo para eles, já que de onde viemos, frutas só na quitanda ou supermercado. Colher direto no pé? Imagine a festa!

Alguns dias depois, para minha infelicidade, começamos notar uns insetos estranhos, e depois vieram outros e mais outros… logo, uma espécie em especial tomou nosso pé de pitanga de assalto, eles basicamente assumiram o controle.

As pitanguinhas verdes nasciam e os danados pareciam apressados em marcá-las.

 

O Vilão

Depois de um pouco pesquisar, descobri que se tratava de um percevejo, uma espécie que costuma atacar as frutas ainda verdes, o que impede que elas se desenvolvam.

Você certamente concordará comigo — não dava para compartilhar as frutas já contaminadas pelos intrusos, então, comecei buscar meios de expulsá-los dali.

Tentei diversas receitas caseiras que encontrei online, mas… nada daquilo me livrou dos pestinhas, e continuávamos privados das deliciosas pitangas.

Quando os intrusos pareciam zombar de minha labuta, um fio de esperança surgiu. Em uma daquelas minhas pesquisas, encontrei um agrônomo da Embrapa explicando como cuidar das ditas pragas, não em pitangas, mas em acerolas — bom, se dá certo para acerolas, funcionaria com minhas pitangas também, concluí.

percevejo das frutas pitanga negocio de quintal giro rural - O nim indiano e meu pé de pitangasNa apresentação, o técnico demonstrava como preparar e aplicar uma espécie de “elixir”, produzido a partir das folhas do neem indiano.

Por sorte, nossa cidade tem boa parte de sua arborização feita com neem.

Saí para colher algumas folhas em um exemplar a poucos quarteirões de casa. Seguindo as orientações do pesquisador, finalmente consegui me livrar dos “insetos com asas nas pernas”.

 

A Retomada

Retomamos o controle do quintal alguns dias depois. Se não fosse o neem, a família Ferreira teria sido bastante atrapalhada no seu objetivo de formar um belo e produtivo quintal.

Depois de minha experiência comecei a indagar-me sobre aquela planta tão eficiente. Porque eu nunca havia ouvido falar antes? Porque não era largamente explorada?

Agora vou compartilhar contigo algumas informações muito relevantes que descobri sobre o neem indiano, ou nim indiano, como também é conhecido por aqui.

Pertence à família do mogno e do cedro. São árvores de grande porte e podem atingir até 30 metros de altura e 2,5 metros de diâmetro. Nativa de todo o subcontinente indiano, é bem resistente à seca.

É utilizada como fonte de materiais usados pela medicina, veterinária, cosmética, como na produção de adubos e no controle de pragas. Neste último quesito, tem chamado a atenção por ser excelente no controle biológico de diversas pragas e doenças que atacam plantas e animais no campo.

A pasta resultante da prensagem das sementes de nim vêm se mostrando um adubo orgânico promissor, desde que misturado a outras fontes mais solúveis de nitrogênio. Essa ressalva é válida porque, sendo antimicrobiano, a torta de nim reduz a população de bactérias nitrificadoras (que captam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para a planta): apenas cerca de 56% do nitrogênio livre é processado pelos microorganismos do solo, após a colocação da pasta de nim.

Por retardar o processo que disponibiliza o nitrogênio no solo, o uso da pasta de nim está sendo recomendado em mistura com fontes de nitrogênio altamente solúveis, como os fertilizantes sintéticos utilizados na agricultura convencional, diminuindo as perdas de nitrogênio pelo ar ou pelo escorrimento com as águas, no interior ou na superfície dos solos.

 

Na Medicina Tradicional

Produtos feitos à base de nim têm sido usados na Índia há mais de dois mil anos, pelos adeptos de Siddha e Ayurvédica, para fins medicinais, notadamente como anti-helmíntico, antifúngico, antidiabético, antibacteriano, antiviral, contraceptivo e sedativo.

Nim é um dos principais componentes das medicinas Siddha, Ayurvédica e Unani, sendo particularmente usado no tratamento de doenças de pele.

As folhas de nim são usadas para tratar eczema, psoríase e outras doenças. O óleo de nim é empregado para tratar os cabelos, para melhorar a função hepática, desintoxicar o sangue e equilibrar os níveis de açúcar no organismo.

Eu particularmente acredito que estamos diante de uma planta especial, pois ela me parece ter o potencial de resolver uma série de problemas que enfrentamos, inclusive poderia ser pensada para prover renda à famílias menos favorecidas através de cultivo em pequenas propriedades.

Em minhas pesquisas encontrei o depoimento de uma família que já cultiva o nim de forma rentável.

Na propriedade eles utilizam como fertilizante, defensivo agrícola natural para combate de pragas, e ainda trabalham forte na fabricação de cosméticos.

Gosto da ideia de olhar para o nim como uma planta “coringa” que realmente tem potencial de agregar valores tão pleiteados pelo agronegócio, que parece não considerar uma alternativa aos defensivos sintéticos que custam tanto e degradam mais ainda nossos solos, águas e, consequentemente nossa saúde.

Buscarei mais informações para compartilhar aqui, pois, certamente a utilizarei em meu quintal e em todo o projeto Negócio de Quintal.