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Neem no controle de pragas das folhosas

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O óleo de neem pode ser utilizado para o controle de pragas na produção de várias culturas orgânicas e convencionais. E a aplicação de neem está proporcionando excelentes resultados no controle de pragas em folhosas, sendo um inseticida totalmente natural, que não polui, não é nocivo à saúde humana e é eficiente no combate a mais de 500 espécies de insetos e ácaros. Pode ser usado em tratamentos preventivos ou de controle. A ação dos extratos de neem sobre insetos é bastante variável de espécie para espécie.

Pode afetar o desenvolvimento, atrasar seu crescimento, reduzir a fecundidade e fertilidade dos adultos, alterar o comportamento e causar diversas anomalias nas células e na fisiologia dos insetos.

Atualmente, existem mais de 70 espécies de hortaliças cultivadas com a finalidade de comercialização, e dentre estas, o grupo das folhosas têm como componentes mais expressivos a alface, repolho, couve, rúcula, espinafre, almeirão, agrião, acelga e chicória, que se destacam devido ao sabor e à coloração

Cuidados

Para o produtor, o cultivo de folhosas exige atenção, visto que a parte comercializável é junto às folhas, fazendo com que elas necessitem de manejo adequado para atingir alta produtividade.

Nesse sentido, cuidados com o preparo do solo, como calagem, adubação e irrigação, além de prudência com o controle de pragas e doenças (que muitas vezes danificam toda a área foliar), são pontos fundamentais.

Partindo para a linha de manejo fitossanitário, várias perguntas podem surgir, como: quais são as principais pragas e doenças? Quais são os prejuízos mais observados? Quais são as formas de controle? Dentre tantas outras que acometem o produtor durante o cultivo.

A grande verdade é que a resposta para todas essas perguntas é a resposta padrão de um agrônomo: “Depende”. Depende de vários fatores, e dentre as pragas que mais causam prejuízos ao cultivo de hortaliças folhosas, destacam-se tripes (Thrips sp. e Frankliniellasp), pulgão (Dactynotus sonchi), mosca branca (Bemisia tabaci), ácaro rajado (Tetranychus urticae), traça-das-crucí-feras (Plutella xylostella) e cochonilhas (Dactylopius coccus).

Neem contra pragas das folhosas

Dentre as metodologias de controle fitossanitário que vêm ganhando espaço como medidas preventivas entre os produtores rurais estão o uso de extratos e óleos essenciais, conhecidos como inseticidas naturais, tanto no manejo integrado de pragas como na agricultura orgânica. Diante disso, os extratos de óleos vegetais despontam como métodos de controle seguros, eficazes e baratos, quando realizados de forma correta.

São conhecidos há muito tempo entre povos tradicionais de diversas regiões do mundo. O neem (Azadirachta indica) pertence à família Meliaceae e pode ser encontrado com outros nomes, como nim, amargosa, nime e lila índio.

Esta planta tem origem asiática e a extração do seu óleo essencial vem sendo usado na Índia há mais de 2.000 anos para controle de pragas. Atualmente, tem sido utilizado como inseticida natural. A mosca-branca Bemisia tabaci (Genn.) é um inseto polífago e de rápida reprodução, causadora de prejuízos em praticamente todas as culturas cultivadas no Brasil.

A principal forma de controle ainda é por meio de produtos químicos convencionais, entretanto, o uso frequente e de forma inadequada tem causado desequilíbrio biológico e o surgimento de insetos resistentes, o que acarreta em perdas de produtividade ainda maiores.

Devido a isso, têm-se procurado práticas que possam servir de alternativa para controle de tal praga. Assim, o neem (Azadirachta indica A. Juss.), planta cujos extratos apresentam capacidade repelente, inibidora de alimentação e re-guladora de crescimento para várias espécies de pragas, apresenta-se como uma opção para controle menos tóxico e mais seletivo.

A bioatividade de derivados de neem é decorrente do sinergismo de diferentes compostos, especialmente limonoides, sendo a azadiractina o componente ati-vo majoritário, presente em folhas, frutos e sementes.

Esses extratos ocasionam efeitos agudos e crônicos, como inibição alimentar, alongamento da duração da fase imatura, redução da fecundidade e fertilidade.

Alterações comportamentais, anomalias celulares e inibição de oviposição também podem causar alterações no sistema hormonal, o que leva a distúrbios no desenvolvimento, deformações, infertilidade e mortalidade nas diversas fases dos insetos diretos e indiretos.

Os danos diretos são visualizados na presença de altas populações do inseto nas plantas, resultando no enfraquecimento das mesmas e no aparecimento de anormalidades nas folhas e consequente perda na produção. Já os danos indiretos são causados pela transmissão de vírus e pela excreção de substâncias açucaradas, o “ho-neydew”. Estas substâncias, quando presentes em excesso, permitem o desenvolvimento da fumagina. O crescimento deste fungo nas folhas reduz o processo fotossintético e, dessa forma, a produção e a qualidade também são afetadas.

Formas de controle (preventivo e curativo)

Para um bom manejo das pragas utilizando óleo de neem, é necessário que se realizem avaliações constantes da infestação da população nas folhosas. Recomenda-se que o controle seja de forma preventiva. Tal processo se dá em três fases, sendo o controle das pragas na sementeira ou no campo na fase de plântulas, o controle sistemático durante o período crítico da cultura já em campo e o controle após o período crítico da cultura. De forma preventiva, a produção de mudas deve ser realizada em casas de vegetação protegidas com telas para impedimento da entrada dos insetos.

Também pode-se realizar, nessa fase da planta, aplicações com extratos de neem para precaução. Os compostos dessa planta, principalmente a azadiractina, apresentam-se como translaminar, sistêmico e de contato. Já no inseto, tem atuação tanto por contato quanto por ingestão, o que determina sua eficiência mesmo nas menores dosagens estudadas. O controle pode ser feito por meio do uso de óleo de neem em soluções que variam de 0,5 a 1%, dependendo do grau de infestação.

O intervalo entre as pulverizações dependerá, também, do grau de infestação e/ou reinfestação, contudo, recomenda-se que seja a cada sete dias. Sempre lembrando que a aplicação preventiva deve ser prioridade, haja vista que, por exemplo, umas das pragas, como a mosca-branca, conta com rápido alas-tramento e ciclo rápido de no mínimo 21 dias, por isso, as plantas protegidas previamente ao seu ataque serão o me-lhor manejo para o controle.

Repelente

Para efeito repelente dessa praga, dilui-se 10 ml do óleo de neem em 1,0 litro de água e realiza-se a pulverização de toda a planta, inclusive embaixo das folhas a cada 10 dias. Quando se almeja a eliminação de larvas, é recomendada a pulverização de 10 ml do óleo dissolvido em 1,0 litro de água na planta.

Para controle de ovos, é recomendado o uso de caldas com concentrações de até 3%. Ainda não há informações detalhadas sobre doses específicas para cada inseto.

Entretanto, de modo geral, as seguintes doses têm apresentado eficácia no controle, principalmente de pragas de hortaliças: óleo emulsionável: 5,0 ml/li-tro de água; sementes secas: 30 a 40 g /litro de água; folhas: 40 a 50 g/litro de água. Lembrando sempre da importância do monitoramento, com a realização do caminhamento em zigue-zague por toda a área de cultivo, sempre se atentando às bordaduras.

Em campo

Plantas atacadas sofrem significantes quedas na produtividade, uma vez que o produto final das folhosas são as folhas, e é nela que as pragas mais atacam, tornando os danos muitas vezes ir reversíveis.

Diversos resultados de pesquisas realizadas a campo e em laboratório têm demonstrado a ação inseticida do óleo de neem em mosca-branca. Gon et al. (2014) demonstrou eficiência das concentrações do extrato de neem na incidência de ninfas eclodidas, com uma redução de aproximadamente 70% em relação à testemunha.

O uso do neem tembém é eficiente no controle das ninfas, tanto por meio da aplicação diretamente nelas enquanto permanecem nas folhas, como de forma residual. Soma-se à ação reguladora de crescimento, quando ingerida diretamente pela mosca-branca, provocando a morte entre dois e cinco dias após o tratamento ou durante a ecdise.

Contam, ainda, com a ação translaminar, o que garante maior proteção contra os fatores do ambiente, tais como temperatura e raios ultravioletas, o que tende a aumentar a persistência do produto, conduzindo a uma redução na oviposição e aumento mortalidade ninfal da mosca-branca por mais tempo.

E a mesma eficácia é vista para outras pragas nas folhosas, pois a azadiractina é o triterpeno com maior atividade inseticida presente no óleo. A ação inseticida do óleo de neem sobre os insetos deve-se à inibição da alimentação; ação repelente à oviposição; efeitos neuroen-dócrinos, inibição do desenvolvimento de insetos imaturos e pode causar a morte por intoxicação aguda

Eficiência no controle

Para haver um controle efetivo, algumas medidas devem ser tomadas, como utilizar água limpa, de boa qualidade e manter a calda inseticida em constante agitação; evitar pulverizações em dias com temperatura acima de 30ºC, umidade relativa do ar abaixo de 50% e ventos acima de 10 km/h; realizar as pulverizações ao final das tardes/início da noite; não utilizar doses e nem número de aplicações acima das recomendadas para o controle de mosca branca em cada cultura, no caso das folhosas; utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) durante o preparo e pulverização das caldas, mesmo sendo um produto não tóxico; e fazer a rotação do óleo de neem com outros óleos ou produtos de outra natureza.

No que diz respeito à excelência dos produtos naturais como fontes de matéria prima de inseticidas orgânicos, pode haver comprometimento da qualidade do material vegetal utilizado e pelos processos industriais.

Assim, diversos fatores, tanto ambientais como fisiológicos, exercem influência na constância da produção de metabólitos secundários em uma planta.

Dessa forma, se a mesma não apresenta um bom desenvolvimento, acarreta em anomalias na sua atividade biológica e, consequentemente, a reprodutibilidade da ação inseticida.

Fatores como sazonalidade, ritmo circadiano, idade e desenvolvimento vegetal da planta, época, horário e forma de coleta das partes da espécie e condições ambientais precisam ser analisadas e considerados para uso do neem como inseticida natural.

Soma-se à preocupação com as condições de armazenamento e procedimentos de preparo dos óleos e extratos, que também afetam a qualidade do produto final.

Investimento x retorno

Os inseticidas à base de neem apresentam baixo custo e são de fácil acesso, podendo ser produzidos de forma bastante simples. Existem duas formas de custo e produção desse extrato, sendo a primeira realizada pelo próprio produtor, fazendo seus extratos, e a outra pela aquisição de produtos prontos que existem no mercado para a venda e de extrema qualidade.

Por apresentar menor toxicidade, ser de fácil degradação no meio ambiente e, mesmo assim, apresentar bons resultados para o controle dos insetos pragas nas diversas folhosas, as aplicações de extratos de neem trazem benefícios, uma vez que controlam a mosca branca desde sua fase larval até quando atinge maturidade.

Também apresentam efeitos ovicidas, controlam espécies de lagartas como traça-do-tomateiro (Tuta absoluta), broca pequena (Neoleucinodes elegantalis), broca gigante (Helicoverpa zea) e traça das crucíferas (Plutella xylostella) no repolho; e besouros, cochonilhas, perce-vejos, pulgões, tripes, pulgões e ácaros.

Tanto aplicações preventivas quanto as de controle populacional demonstram efeitos positivos para produtividade e lucratividade, uma vez que inibem a ação de pragas, o que proporciona, desta maneira, o ótimo desenvolvimento da planta.

Emerson Castro
Representante comercial Nim Brasil

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