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Ferrugem do café – o que é e como combater

Ferrugem do café - o que é e como combater
Ferrugem do café - o que é e como combater

A ferrugem do cafeeiro é a principal ameaça a produção de café em todo o mundo. Esta doença é causada pelo fungo fitopatogênico Hemileia vastatrix Berk. 

O nome, ferrugem do cafeeiro, se dá em função dos sintomas visuais que a doença provoca nas folhas. Sob severo ataque, as plantas infectadas exibem um crescimento pulverulento sobre as áreas afetadas.

Na verdade, isso corresponde aos esporos produzidos pela H. vastatrix, que possuem coloração alaranjada. Assemelhando-se a ferrugem, por isto o nome “Ferrugem do cafeeiro”

Histórico da doença

Esta doença é uma velha conhecida dos produtores de café, pois foi uma das responsáveis pelo famoso chá da tarde dos ingleses. Curioso, não?

Em meados dos anos 1860, o Ceilão, atualmente conhecido como Sri Lanka era um dos maiores produtores mundiais de café. Entretanto, a chegada da ferrugem do cafeeiro dizimou praticamente toda a produção de café daquela região.

Naquela época, o Ceilão exportava café para a Inglaterra. Até então, os ingleses eram fortes consumidores de café e não de chá.

Contudo, devido à falta de café, em função do ataque da H. vastatrix, eles começaram a produzir e exportar chá para a Inglaterra. Os ingleses gostaram tanto, que hoje são os maiores consumidores de chá do mundo.

Danos causados pela ferrugem do cafeeiro

O potencial de dano da ferrugem do cafeeiro é assustador. Devido ao fato de colonizar as folhas, este patógeno atrapalha a capacidade fotossintética da planta. 

Desta forma, a H. vastatrix causa a quebra precoce de folhas, reduzindo significativamente a produção de fotoassimilados, o que resulta em menor produção de grãos de café.

Em casos de ataque severo, a ferrugem do cafeeiro pode reduzir de 30 a 60% da produtividade. Sendo assim, se não for bem manejada esta doença pode tornar inviável a produção de café.

Como combater a ferrugem do cafeeiro

Atualmente, são dois os principais métodos para o manejo da ferrugem do cafeeiro no Brasil:

  • Controle químico utilizando fungicidas.
  • Utilização de variedades resistentes.

Controle químico

O controle químico para a ferrugem do cafeeiro pode ainda ser subdivido em preventivo e curativo.

Especialistas recomendam aplicações preventivas, iniciando nos meses de novembro a dezembro com produtos à base de cobre, como os oxicloreto e hidróxido de cobre. Estas pulverizações devem ser realizadas, no máximo, a cada 30 dias e têm a função de proteger as plantas de possíveis infecções com a ferrugem.

Contudo, quando o patógeno já está instalado no cafezal, deve-se dar preferência aos fungicidas sistêmicos. Dentre eles, os grupos químicos recomendados pelo Ministério da Agricultura são à base de triazol, estrobilurina, ditiocarbamato e carboxamida.

Neste caso, as aplicações devem iniciar apenas após o surgimento das primeiras pústulas visíveis do patógeno.

Para os produtos à base de triazol, recomenda-se no máximo duas aplicações por safra. Contudo, se houver a necessidade de uma terceira aplicação, o indicado é escolher um fungicida com mecanismo de ação diferente.

Na prática, o que se tem feito a campo é alternar as pulverizações, variando sempre o mecanismo de ação dos fungicidas a cada aplicação sequencial. Isto reduz a pressão de seleção sobre o patógeno para o desenvolvimento de raças de H. vastatrix resistentes aos fungicidas.

Variedades resistentes

Atualmente, já é possível encontrar variedades de café resistentes a ferrugem. Entretanto, cada variedade tem características próprias e são adaptadas a algumas regiões brasileiras.

A cv. Acauã Cv2 cv8, por exemplo, é inume a ferrugem, tolerante a seca e ao nematoide exigua. 

Ao passo que, a cv. Catucai amarlo 2SSL é indicada para o norte de Minas Gerais, apresenta boa produtividade, boa maturação e é tolerante a ferrugem.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas gerais (EPAMIG), justamente com a Universidade Federal de Viçosa e a Embrapa tem trabalhado constantemente no melhoramento genético de café. Desta forma, recentemente lançaram mais 3 cultivares resistentes a ferrugem, sendo elas Sacramento MG 1, Catiguá MG 1 e Catiguá MG.

Sendo assim, o ideal é consultar um eng. agrônomo e obter mais informações sobre a variedade ideal para cada situação.