Cultivo de camarões em aquaponia: Vantagens e desvantagens

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Além dos peixes, algumas espécies de crustáceos têm disso utilizadas em aquaponia.

Os crustáceos podem ser de origem marinha ou de água doce, destinados ao consumo humano ou cultivo ornamental. 

Independentemente do tipo e da finalidade, a escolha da espécie deve ser orientada em função da demanda de mercado da região, características biológicas e adaptação climática da espécie. 

Crustáceos para utilização em aquaponia

Dentre as espécies de crustáceos possíveis de serem produzidas em cativeiro, as mais adaptadas a aquaponia são:

  • Camarões de água doce (Macrobrachium sp.)
    • Camarão da Amazônia (Macrobrachium amazonicum)
    • Camarão da Malásia (Macrobrachium rosenbergii)
  • Camarão-branco do Pacífico (Litopenaeus vannamei
  • Lagosta australiana (Cherax sp.) 

Camarões

Os camarões do gênero Macrobrachium são bastante atrativos no mercado brasileiro, pois eles podem atingir até 32 cm de comprimento e peso de 500 g. O camarão da Malásia, especificamente, é uma espécie rústica, precoce e prolífica. Além disso, se adapta bem à criação em cativeiro.

O cultivo de camarões consorciados com peixes em sistemas de aquaponia é uma ótima opção de investimento. Este sistema permite três safras anuais de camarão, pois sob condições ideais, os camarões têm um ciclo de desenvolvimento de quatro meses. 

De modo geral, os camarões são indivíduos territoriais, desta forma a superfície horizontal determinará a quantidade de indivíduos que podem ser suportados pelo sistema.

Até o momento, ainda são poucos os estudos envolvendo crustáceos em cultivo de aquaponia. Entretanto, devido ao preço pago pelos camarões serem extremamente atrativos aos produtores, existe uma forte tendência a uma maior produção dos crustáceos neste sistema.

Isto ocorre em função da possibilidade do cultivo de aquaponia ser realizado em pequenos espaços, permitindo o escalonamento da produção. Desta forma, em um sistema bem planejado, é possível a realização de despescas durante todo o ano.

Vantagens e desvantagens

Assim como toda tecnologia, a aquaponia apresenta uma série de vantagens e desvantagens. Desta forma, antes de iniciar o cultivo propriamente tipo, é importante ter em mente os principais potencializadores e desafios da aquaponia.

Nós elaboramos abaixo, duas listas, contento as principais vantagens e desvantagens da aquaponia.

Principais vantagens da aquaponia:

  • Por ser um sistema fechado, permite uma economia considerável na água utilizada.
  • Pode ser realizada em centros urbanos.
  • Aproveita de forma integral recursos como água e ração.
  • Permite o cultivo de peixes e hortaliças em sistemas intensivos com alta densidade populacional.
  • Gera produtos alimentares livres de produtos químico (herbicidas, fungicidas e inseticidas).
  • Permite diversificação de renda ao produtor, em função da produção de, no mínimo, dois produtos agropecuários distintos (plantas, peixes e crustáceos).
  • Reduz os riscos de contaminação de efluentes.
  • O licenciamento ambiental para a sua produção não é burocrático.
  • Permite o reaproveitamento do ciclo do nitrogênio.
  • É passível de ser realizado em pequenas áreas.
  • Não sofre influência do tipo de solo, fertilidade ou declividade. 
  • Exige menos mão-de-obra para manutenção do sistema.
  • Na aquaponia, o plantio e a colheita dos vegetais são simples.
  • Os materiais utilizados para a instalação do sistema de aquaponia são de fácil aquisição.

Principais desvantagens da aquaponia: 

  • A aquaponia é um sistema extremamente dependente de energia elétrica.
  • Por utilizar plantas e peixes em um mesmo sistema, impossibilita pulverizações de agrotóxicos sobre as plantas.
  • Para a manutenção do sistema é necessário um conhecimento mínimo em hidráulica, olericultura, aquicultura, carcinicultura etc.
  • O investimento inicial para a instalação do sistema é relativamente alto.
  • Apesar de derivar da hidroponia, a aquaponia ainda é uma técnica pouca difundida no Brasil. Desta forma, é carente em informações.
  • Necessidade de monitoramento constante de parâmetros críticos, como temperatura, pH, oxigênio dissolvido, nitrogênio total etc.